VLT tem protótipo em exposição no Centro

RIO — Os cariocas já podem sentir o gostinho de como será andar em um dos veículos leves sobre trilhos (VLTs) que começarão a circular no Centro e na Zona Portuária no primeiro semestre de 2016. Neste domingo, um protótipo do VLT foi colocado em exposição na Cinelândia. O veículo está aberto para visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h, e aos sábados, das 9h às 14h. Quando estiver em circulação, a previsão é que o VLT Carioca transporte até 300 mil pessoas por dia. Cada trem pode levar até 420 passageiros. O prefeito Eduardo Paes, que visitou o protótipo neste domingo e abriu as comemorações da semana pelos 500 dias dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, classificou o VLT como “um bonde moderno” e afirmou que a rede será responsável por interligar todos os meios de transporte que chegam à cidade do Rio, incluindo uma estação até no Aeroporto Santos Dumont.

— Todo mundo que chegar ao Rio de Janeiro vai ter acesso a esse transporte moderno, ecologicamente correto, que vai permitir a diminuição do número de carros e ônibus no Centro da cidade. É um bonde moderno, a volta daquilo que nunca deveria ter saído do Rio de Janeiro — disse Paes. — É claro que, quando você provoca esse transtorno todo na vida das pessoas, e aqui na Rio Branco (ele se referia às obras na avenida), é importante que elas tenham noção do que vem por aí. Esse será mais um legado das Olimpíadas.

PRAZOS FORAM ADIADOS

O prefeito garantiu que o VLT estará em funcionamento antes dos Jogos. No cronograma original, o início da primeira fase de operação estava marcado para julho deste ano, e a segunda fase para março de 2016. Agora a previsão é que os primeiros bondes comecem a circular pelo trecho que vai da Rodoviária Novo Rio até o Aeroporto Santos Dumont no fim de 2015 — passando pela Avenida Rodrigues Alves, Praça Mauá e Avenida Rio Branco —, mas apenas para testes operacionais. A operação comercial foi adiada para o primeiro semestre do ano que vem.

A segunda etapa inclui a ligação entre a Central do Brasil e a Praça Quinze, passando, por um lado, pela Avenida Marechal Floriano, e, por outro, pelo Campo de Santana, Praça Tiradentes, Largo da Carioca e Rua Sete de Setembro. A previsão é que este segundo trecho, que vai conectar também o Santo Cristo à Avenida Rodrigues Alves pela Gamboa, esteja em operação comercial em setembro de 2016. O prefeito garantiu que os prazos serão cumpridos.

— O VLT sai para as Olimpíadas. A gente começa a ter trem circulando já no final deste ano, ainda em fase de testes operacionais, com a população utilizando no primeiro semestre do ano que vem. As obras estão dentro do cronograma. Para desgraça de alguns, vamos entregar tudo em dia — disse Paes, que não acredita que o serviço sofrerá com a superlotação observada nos ônibus do BRT, especialmente o Transoeste. — Vamos começar com calma. É um sistema novo, as pessoas vão ter que se acostumar com ele. É uma alternativa importante ao carro e ao ônibus e tem que ser implementada aos poucos, para não gerar problema de superlotação. Talvez o problema do Transoeste tenha sido o subdimensionamento de algumas estações, como a do centro de Santa Cruz, que é pequena para a quantidade de pessoas que vivem lá.

A rede dos chamados bondes modernos terá 28 quilômetros de trilhos. Ao todo, serão utilizados 32 veículos formados por sete módulos integrados, somando 44 metros de cumprimento. Os cinco primeiros serão fabricados na França e os outros 27 na fábrica da empresa francesa Alstom em Taubaté, no interior de São Paulo. O primeiro deve chegar à cidade em abril. A velocidade média será de 17km/h. Os intervalos devem variar entre três e 15 minutos, dependendo da linha e do horário. De madrugada, os veículos circularão de 30 em 30 minutos.

Não haverá cobradores, nem roletas nos VLTs. O sistema de pagamento prevê a utilização do Bilhete Único e a validação voluntária: ou seja, vai depender da boa-fé dos passageiros. Esse modelo — utilizado em diversas cidades do mundo, como Genebra, na Suíça, e Istambul, na Turquia — será adotado no Rio pela impossibilidade de construir estações fechadas ao longo do trajeto do novo meio de transporte. Apenas as paradas na rodoviária, na Central do Brasil, na estação das barcas e no Santos Dumont serão fechadas. O preço da passagem deve ser o mesmo dos ônibus municipais, e a prefeitura estuda ampliar o tempo para utilização do Bilhete Único, de 2h30m para 3h. O secretário estadual de Transportes, Rafael Picciani, informou que o município ainda discute a maneira de cobrar a menor tarifa possível.

— Nós estamos estudando a melhor maneira de bilhetagem, vamos buscar um formato que onere o mínimo possível os passageiros. Nosso interesse é dar ao Centro da cidade maior mobilidade, sem que sejam utilizados ônibus e carros — afirmou Picciani.

Para o secretário, a exposição é uma forma também de a população conhecer melhor o novo meio de transporte. Como o VLT divide espaço com os pedestres, a preocupação é evitar acidentes.

— Naturalmente, com a operação de um novo modal, a população precisa se habituar com ele. No mundo todo, o VLT é utilizado em convívio com os pedestres. Aqui está a oportunidade para as pessoas terem contato com as linhas que existirão, com esse novo modelo.

As seis linhas do VLT Carioca previstas são: Francisco Bicalho-Fórum; Central-Praça Mauá; Saara (Praça da República-Praça Tiradentes-Largo da Carioca-Praça Quinze); Central-Fórum; Central-Francisco Bicalho; Praça Mauá-Francisco Bicalho.

Fonte: O Globo, 23/03/2015

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