Após confusão, Metrô funciona normalmente em SP

Depois da confusão que interrompeu a circulação da Linha 3-Vermelha (Palmeiras-Barra Funda/Corinthians-Itaquera), na noite desta terça-feira (4), as composições circulavam normalmente em todo o sistema na manhã desta quarta-feira (5). Os botões de emergência foram acionados em sete composições, o que travou a linha por cerca de cinco horas. O Secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Jurandir Fernandes, atribuiu o tumulto a grupos organizados.

A confusão começou por volta das 18h24, quando uma composição apresentou uma falha na Estação República, afetando a circulação na linha no horário de pico. Segundo o Metrô, apesar de a ocorrência operacional ter sido sanada às 18h27, usuários acionaram botões de emergência de sete trens que vinham atrás, em sequência, e desceram às passarelas de emergência, causando a interrupção da operação no trecho entre Palmeiras-Barra Funda e Sé. Os usuários caminharam pelas passarelas laterais e foi preciso desenergizar toda a linha. De acordo com o Metrô, a circulação de trens foi plenamente normalizada às 23h20 de terça.

Efeito cascata

O Secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Jurandir Fernandes, afirmou que as pessoas que andaram na via provocaram um “efeito cascata” após o problema que interrompeu a circulação. “Alguns passageiros exaltados incitaram outros a pular na via. Um passageiro na via nos obriga imediatamente a cortar energia, porque nós temos um terceiro trilho na via, que fornece energia, que pode causar uma fatalidade. Isso [as pessoas que pularam na via] gerou um efeito cascata”, declarou.

Segundo o secretário, o problema ocorrido na Sé seria resolvido em cerca de 10 minutos. “Quando as pessoas pularam na via, aconteceu o efeito cascata. Tivemos uma diminuição de velocidade dos trens que vinham atrás. Sete botões de emergência e sete trens diferentes foram acionados em 30 minutos”, afirmou.  A situação se complicou ainda mais porque, com o corte da energia, o ar condicionado foi cortado.

Jurandir Fernandes afirmou que os usuários foram orientados a pegarem a Linha 11-Coral, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que não foi atingida pela confusão. A linha 3- Vermelha do Tatuapé até Itaquera funcionou sem problemas. Para o secretário, não era viável deslocar 30 ou 60 ônibus para a região central para transportar os passageiros prejudicados.

Em caso de falhas, o secretário orienta os passageiros a manterem a calma. Ele também pediu para que se procure não acirrar os ânimos. “O mesmo vandalismo que tirou a liberdade de expressão das ruas quer entrar no Metrô e não vai entrar. Nós agiremos com muito rigor. Não haverá oportunidade de vândalos dentro do metro. Isso é ponto pacífico.”

O secretário, que já tinha afirmado acreditar que o tumulto tenha sido provocado por grupos organizados, reconhece a dificuldade para identificar quem teria encabeçado a ação. Todo esse movimento é difuso, não há uma liderança. O que se percebe é que algumas pessoas incitaram com palavras de ordem, na Praça da Sé, que todos os usuários pulassem para a linha e tocaram fogo em um túnel entre a Praça da Sé e o Parque D.Pedro, disse.

Controle de fluxo

A grande concentração de passageiros provocou desentendimentos entre usuários e seguranças na Estação Sé e a Polícia Militar precisou ser acionada.
Às 21h15, os portões da Estação Sé estavam fechados e os funcionários orientavam os passageiros a pegar ônibus ou caminhar até a Estação São Bento da Linha 1-Azul do Metrô. Segundo esses funcionários, todas as estações da Linha Vermelha estavam sendo esvaziadas e ela deve deixar de operar nesta terça-feira. A assessoria do Metrô não confirmava, no horário, a interrupção integral da circulação.

Dentro da estação, passageiros ainda aguardavam às 22h o retorno da circulação. Nervosos, alguns usuários se negavam a deixar a estação e protestavam contra a falta de transporte. Outras pessoas esperavam que o tumulto diminuísse para deixar o local.

A SPTrans informou que nos trechos nos quais havia problemas na circulação dos trens do Metrô o serviço de transporte coletivo municipal operava com frota cheia, ou seja, com a frota de ônibus disponibilizada pelas operadoras nos horários de pico dos dias úteis. Segundo a SPTrans, Metrô e CPTM não solicitaram o acionamento do Plano de Ação entre Empresas em Situação de Emergência (Paese).

Reflexo na linha

O analista de nutrição Juliano Silva Vieira dos Santos, de 30 anos, estava na composição que ficou parada entre as estações Marechal Deodoro e Santa Cecília. Segundo ele, os passageiros se desesperaram quando o ar-condicionado foi desligado.

“O trem já tinha ficado parado na Barra Funda um bom tempo. Depois, na estação Deodoro. Quando parou no túnel (entre Deodoro e Santa Cecília), o ar-condicionado estava gelado, mas daí ficou quente de repente. Todo mundo ficou desesperado, porque não conseguia respirar. Algumas pessoas começaram a gritar: ‘Vamos sair! Vamos sair!’ Foi quando bateram nos botões e abriram as portas. Saímos caminhando em direção à estação Deodoro”, contou.

Juliano disse que em momento algum os passageiros foram informados por meio do sistema de som ou por algum funcionário sobre o que estava acontecendo. “Só diziam que um trem estava com problema na República, mas não diziam o que era e nem davam qualquer previsão de retorno da circulação de trens. Depois, anunciaram que havia usuários andando pela via”, disse.

Segundo ele, alguns passageiros decidiram andar da estação Deodoro até a Santa Cecília pelo túnel do Metrô. Cansado de esperar, ele saiu da estação e voltou a pé para a Barra Funda, o seu ponto de partida, onde pretendia pegar um ônibus para tentar chegar em Artur Alvim, onde mora, na Zona Leste, do outro lado da cidade.

A passageira Paula Lago, de 35 anos, chegou à Estação Bresser da Linha Vermelha às 20h e foi impedida de entrar porque o acesso estava restrito. “A única informação era que não tinha metrô”, afirmou. Ela esperou alguns minutos e o acesso acabou liberado apenas para viagens até a Estação Sé. “Mas eu fiquei 10 minutos dentro do vagão, sem movimentar”, disse. Ela desistiu e optou por deixar a estação e ir embora.

Fonte, G1-SP, 05/02/2014

Clique no link e assista a reportagem:
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/02/apos-confusao-metro-funciona-normalmente-em-sp.html

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