Operários encontram objetos históricos nas obras do metrô do RJ

As obras do metrô do Rio de Janeiro estão remexendo com o passado. Os operários encontraram um tesouro debaixo da terra: peças e pedaços de objetos que ajudam a recontar a história do Brasil.

Os túneis do metrô vão ligar Ipanema ao Leblon por baixo da terra. Antes das máquinas rasgarem o solo, uma equipe de arqueólogos precisa analisar o terreno com pequenas perfurações. A intenção é preservar objetos e fragmentos de civilizações antigas.

De janeiro do ano passado até agora, eles já resgataram cerca de 1,8 mil peças arqueológicas. Entre elas, estão cerâmicas e pedras que podem ter pertencido a duas tribos indígenas que os arqueólogos acreditam ter habitado a região a partir do século VIII, quando Ipanema e Leblon eram uma restinga, uma faixa de areia à beira mar.

Também foram encontradas peças arquitetônicas do século XIX, que decoravam casas, sacadas e pisos. Há trilhos que pertenciam ao bonde que, no início do século XX, ainda era puxado por burros. Até penicos foram encontrados, todos de metal esmaltado, que deveriam pertencer às famílias que moravam na região quando a área começou a ser loteada.

As peças encontradas foram recolhidas e vão para a Fundação Oswaldo Cruz. Inclusive uma ampola, encontrada com um líquido dentro. Os pesquisadores querem identificar possíveis bactérias e vermes da época e, quem sabe até, descobrir variações de vírus que ainda possam estar circulando.

Há um ano as escavações na fábrica onde são produzidos os túneis de concreto do metrô também revelaram um tesouro debaixo de uma antiga estação de trem, no centro da cidade.
A maior parte dos objetos pertenceu à família real portuguesa, entre os séculos XVI XIX. Na área era depositado o lixo do palácio imperial.

“A arqueologia está preocupada em descobrir o nosso passado. Pela primeira vez, estamos tendo a oportunidade de reviver toda essa terra, toda essa areia de Ipanema, Leblon e ter a chance de descobrir vestígios de 100, 200, 500 mil anos atrás. É uma oportunidade única para a arqueologia”, comemora o arqueólogo Claúdio Prado de Mello.

Jornal Hoje, 10/09/2014

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