Prevenção de acidentes na ferrovia

Revista Ferroviária – Prevenção, prevenção, prevenção. Esse é o lema das ferrovias brasileiras para reduzir o número de acidentes em suas linhas, especialmente em cruzamentos rodoferroviários. Nos últimos meses, os acidentes ferroviários têm aparecido com frequência na mídia e chamado atenção.

Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), 75% dos casos são por imprudência das pessoas. As câmeras de segurança das ferrovias brasileiras mostram veículos e pedestres que não respeitam a sinalização e avançam nas passagens em nível, mesmo após os avisos sonoros, tanto do trem quanto da cancela.

“Mais de 70% dos acidentes têm origem em falhas de terceiros: pressa, distração, imprudência. O trem tem a preferência, mas nada é mais importante que a vida”, explica o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio.

As colisões acontecem pois o trem não consegue parar imediatamente, devido ao seu peso e tempo de aplicação da frenagem para superar a inércia do veículo. Por conta desse tempo de resposta para a parada dos trens, existe tanta atenção dos maquinistas aos cruzarem áreas urbanas e do uso de sistemas que acionam cancelas e avisos sonoros ao detectar a aproximação dos trens.

A segurança é um tema essencial no transporte ferroviário e visando a garantia operacional em suas passagens em nível, a VLI – controladora da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) – implantou um Centro de Controle de Passagem em Nível (CCPN), em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), a primeira estrutura dedicada ao monitoramento dos cruzamentos rodoferroviários no país.

Uma equipe de 30 pessoas monitora 26 passagens em nível da VLI em Minas Gerais, sendo 16 no entorno de Belo Horizonte – Betim, Santa Luzia, Pedro Leopoldo e Prudente de Moares – e 10 em Divinópolis. A estrutura foi inaugurada em 2023 e conta com um amplo vídeowall, por onde acompanham as movimentações em tempo real.

O supervisor de manutenção eletroeletrônica da VLI, Marcos Silva, explica que os dados deram origem ao espaço dedicado a este tipo de controle: “Foram as estatísticas e a vontade de ter algo preventivo, de controlarmos o trem e o tráfego também. Foi uma ideia disruptiva de trazer as tecnologias de automação, de cancela e tudo mais, vinculado ao centro de controle. Não é só saber como está a PN, é ter a condição segura para o trem passar com a população em volta”.

Silva explica que as cancelas são acionadas automaticamente por sensores na via, conforme a aproximação do trem. “A distância varia um pouco de acordo com a velocidade da via. Temos sensores de aproximação, em média, em 300 metros de cada lado, e já sabemos que o trem está se aproximando. Então, começa a rotina de avisos sonoros e luminosos e baixa da cancela. Para o trem estar na travessia, a cancela tem que estar abaixada. Assim que passa o último vagão, o sistema libera, levantando as cancelas e desligando os alertas. Trabalhamos com contadores de eixos, justamente para ter uma assertividade maior, atendendo os protocolos de segurança”.

Ele explica que o sistema é automático, mas a equipe de monitoramento consegue fazer os acionamentos remotamente se necessário. Em regiões de manobra de trens, como nas oficinas, as cancelas são acionadas manualmente após o comunicado das equipes locais.

A empresa MPK, focada em tecnologia para ferrovias, é a parceira da VLI no Centro de Controle de Passagem em Nível, sendo a responsável pelo desenvolvimento do CCPN, implantação e o monitoramento.

Os dados do CCPN mostram que os registros de imprudência nos cruzamentos, como evasões, ainda são um alerta. De janeiro a agosto deste ano, foram registradas mais de 26 mil evasões em passagens em nível de Betim, onde o CCPN foi instalado devido ao alto índice de casos.

Equipe acompanha no Equipe acompanha no CCPN as movimentações de trens, veículos e pedestres nos cruzamentos rodoferroviários

Fonte: Revista Ferroviária, 13/01/2026

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