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Diário do Litoral – Quem olha para as antigas estações ferroviárias espalhadas pelo interior e litoral de São Paulo costuma ver apenas relíquias de um passado glorioso. Mas, para o Governo do Estado, esses trilhos são o caminho para um novo “boom” econômico. Através do programa SP nos Trilhos, a meta é ambiciosa: tirar do papel mais de 40 projetos que unem transporte de massa e, principalmente, o chamado Turismo de Experiência.
O plano não é apenas restaurar vagões velhos, mas criar uma rede conectada que deve movimentar cerca de R$ 1,8 bilhão na próxima década. A ideia é que o turista paulista pare de ver o trem apenas como um transporte do ponto A ao ponto B e passe a enxergá-lo como o destino final da sua viagem.
Aposta na nostalgia e no luxo
A grande estrela dessa estratégia é o resgate do patrimônio. O projeto foca em rotas que já são queridinhas, como o Trem Republicano (que liga Itu a Salto) e a clássica Maria Fumaça de Campinas, mas quer ir além. A modernização prevê a concessão de trechos históricos para a iniciativa privada, permitindo que novos trens de luxo e vagões temáticos, com direito a gastronomia regional e guias caracterizados, ocupem trilhos que hoje estão subutilizados.
Para o leitor que busca lazer, a novidade mais prática é o lançamento do Passaporte Ferroviário. Ele funciona como um incentivo direto ao bolso: ao registrar suas viagens pelo estado, o turista garante descontos de até 20% em passagens de outras rotas participantes. É uma tentativa de criar um “fidelidade” nos trilhos, incentivando as pessoas a conhecerem cidades como Guararema, Santo Antônio do Pinhal e a histórica Paranapiacaba.
Da Serra do Mar ao Interior
O programa SP nos Trilhos não vive apenas de nostalgia. Ele está amarrado a projetos de infraestrutura pesada, como o Trem Intercidades (TIC). Enquanto o eixo norte (São Paulo-Campinas) já está mais avançado, o planejamento para o Eixo Sul, que deve conectar a capital à Baixada Santista, abre uma janela de oportunidades gigantesca para o turismo ferroviário na Serra do Mar.
Imagine poder descer a serra em um trem moderno e, ao chegar ao destino, ter a opção de integrar o passeio com rotas históricas locais. O objetivo do governo é que o desenvolvimento regional aconteça “no rastro do apito do trem”, gerando empregos em hotéis, restaurantes e museus ferroviários que hoje sobrevivem com dificuldade.
Por que isso importa agora?
Diferente de décadas passadas, o foco atual não é apenas estatal. O governo está abrindo caminho para que empresas invistam na ampliação e manutenção dessas rotas, garantindo que o serviço tenha um padrão de qualidade que atraia o turista acostumado com viagens internacionais.
Para o passageiro, o benefício é o resgate de uma forma de viajar mais lenta, contemplativa e segura, fugindo dos congestionamentos intermináveis das rodovias paulistas nos feriados.
Se o cronograma for cumprido, o “apito da locomotiva” voltará a ser o som oficial do desenvolvimento em centenas de municípios paulistas nos próximos anos.
