CGU mantém Siemens em cadastro de empresas éticas

Mesmo se recusando a dar informações sobre as denúncias de formação de cartel e fraude em licitação no transporte ferroviário no Brasil, a Siemens está mantida no cadastro de empresas éticas, mantido pela CGU (Controladoria-Geral da União) e órgãos da iniciativa privada.

A empresa alemã, contudo, foi colocada num “regime especial de rigoroso acompanhamento”.

A decisão foi tomada nesta sexta-feira (6), durante reunião do comitê gestor do cadastro, que havia solicitado à Siemens informações capazes de demonstrar a aplicação de medidas para prevenir irregularidades.

Ao comitê, a Siemens respondeu que, “apesar de entender perfeitamente a necessidade de mais informações para balizar a decisão, a empresa está totalmente impedida de dar qualquer detalhe acerca do caso por conta do acordo de leniência”.

Na tentativa de garantir imunidade, a Siemens assinou uma espécie de acordo de delação premiada com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Ela delatou ao órgão a existência de um suposto cartel no mercado de trens no Estado de São Paulo, governado pelo PSDB, e no Distrito Federal entre 1998 e 2008. Embora reconheça ter participado de cartel em diferentes licitações, a empresa resiste em confirmar o pagamento de propina. Diante da ausência de informações da empresa para balizar qualquer decisão, o comitê gestor decidiu manter a Siemens sob regime especial de acompanhamento.

Nesta sexta (6), o grupo decidiu ainda solicitar informações sobre denúncias envolvendo a Siemens a autoridades públicas, entre elas a Polícia Federal, o Ministério Público e o próprio Cade.

“O Comitê voltará a apreciar sua situação tão logo sejam obtidas novas informações ou esclarecimentos relevantes”, informou a CGU. O caso, contudo, deve ser discutido novamente em novembro, data da próxima reunião do grupo.

A Siemens faz parte do cadastro de empresas éticas desde 2011. É uma iniciativa que obriga as empresas a desenvolverem mecanismos de controle internos para combater ilícitos e desvios.

Fonte: Folha de S. Paulo, 09/09/2013

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