Investimentos de 99,6 bi garantem a recuperação da rede ferroviária brasileira

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária, Vicente Abate, considera que o governo federal tardou para perceber a necessidade premente de investir em infraestrutura. Com a previsão de 99,6 bilhões para o Plano de Investimento em Logística – PIL, entretanto, a rede ferroviária nacional deverá chegar a 2025 com praticamente a mesma quilometragem de trilhos que havia em 1960, cerca de 39.500 quilômetros.

Apesar da aparente modéstia dos números, a ABIFER está otimista e o engenheiro Abate explica. O vagão médio de meados do século passado tinha capacidade para 80 toneladas e agora os vagões carregam de 100 a 128 toneladas. Os transportadores de contêineres duplicaram sua capacidade e passaram a levar contêineres empilhados. Finalmente, a descarga de um vagão com açúcar a granel, que no passado demorava 45 minutos, atualmente é feita em 60 segundos.

Grande ganho tecnológico

Esse gigantesco ganho tecnológico é o responsável pela confiança do setor, embora Abate reconheça que o ideal seria que o Brasil tivesse 50 mil quilômetros de ferrovias. É vital, entretanto, que o PIL seja encarado como um projeto de Estado, e não de determinado governo.

A necessidade de um projeto a longo prazo é bastante clara, pois além da construção de 11.500 quilômetros de novas ferrovias, de modernização e duplicações, que não serão feitos em um único ano, o PIL contempla a renovação da frota. Existem hoje 105 mil vagões no parque ferroviário nacional, 40 mil deles rodando há mais de quatro décadas e que precisam ser substituídos. O mesmo ocorre com as locomotivas, pois das 3.200 existentes, 1.400 também têm 40 anos de uso e precisam ser trocadas por máquinas novas.

A indústria ferroviária conhece o desafio que esses números representam e está capacitada e investindo, garante Abate, inclusive com fábricas novas, na contramão de outros setores industriais e em seis anos deverá entregar 9 mil novos vagões e 1.300 locomotivas “e isto é apenas o primeiro lote”. A capacidade instalada é bem maior, 12 mil vagões/ano, e o pico de produção efetiva foi em 2005, quando foram entregues 7.600 vagões.

Parceria com o SINICESP

A construção de novas vias e a modernização das existentes não é problema, na visão de Vicente Abate. “A longa parceria que a ABIFER tem como o SINICESP nos deixa tranquilos na capacidade da indústria da construção de atender a esse esforço construtivo” que há de ser concentrado, embora iniciado tardiamente. “Essa disposição do governo de planejar, projetar e licitar novas obras ferroviárias nos deixa na verdade exultantes”, conclui.

De acordo com o presidente da ABIFER, a mudança de exploração ferroviária também é positiva, à medida que permitirá os operadores ferroviários independentes, que formarão suas frotas e locomotivas, os quais hão de trafegar se valendo da infraestrutura construída e mantida por outras empresas, num modelo horizontal e não mais vertical, como anteriormente.

Atualmente, há mais de 5 mil quilômetros de vias em construção, 1.728 na Transnordestina, 1.022 a FIOL – Ferrovia de Integração Oeste-Leste, 680 da extensão da Norte Sul, enquanto 600 quilômetros da Carajás estão sendo duplicados, mais 200 da Ferroban, entre Sumaré e Santos, além dos 855 recém inaugurados de Palmas a Anápolis e dos 262 da Ferronorte, de Alto Araguaia a Rondonópolis.

Novas licitações se anunciam, continua Abate, como os 883 quilômetros entre Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso e Campinorte, em Goiás, onde a linha se entrocará com a Norte-Sul, trecho a ser licitado ainda no segundo semestre e que atenderá a região maior produtora de grãos. Os seis novos trechos cujos projetos foram licitados recentemente receberam 71 propostas e a pressa do governo está patente, ao conceder 180 dias para a entrega dos projetos de quatro trechos e de 240 para os outros dois.

“Em 10 anos teremos mais 11.500 quilômetros, chegando em 2025 a 39.500, repete ele, ainda não a situação ideal”, mas o suficiente para garantir as condições de desenvolvimento que o Brasil precisa desesperadamente. As concessões rodoviárias estão avançando , os maiores aeroportos foram concessionados e a presente seca mostrou como é importante ter opções quando um sistema de transportes enfrenta problemas, no caso as hidrovias que não têm condições de operar pela redução do volume de água dos rios.

Para a ABIFER, o investimento em infraestrutura “é um jogo de ganha-ganha”. Ganha a indústria, ganham os construtores, ganham os concessionários, o usuário, que será melhor atendido e ganha também o governo, pois o investimento em infraestrutura vai produzir mais impostos e mais empregos. Basta dizer que apenas o projeto de renovação da frota está levando a indústria ferroviária a criar 2.000 empregos diretos e vai investir até 2016 mais 600 milhões em novas fábricas, para atender ao programa que foi bem planejado e corretamente dimensionado.

Fonte: Sinicesp em Revista, 24/10/2014  

 

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