Colisão entre trens da SuperVia deixa mais de 200 feridos

O secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório, afirmou que a Supervia será multada após o acidente que feriu pelo 229 pessoas na noite desta segunda-feira (5). A informação foi dada no Bom Dia Rio.

“O acidente é gravíssimo e a falha é inadmissível. Não pode acontecer. Técnicos da Agetransp foram ao local para recolher materiais e investigar de forma independente o que aconteceu”, afirmou Osório. Segundo ele, é necessário investigar exatamente o que causou o acidente. Um trem que vinha no sentido Baixada bateu em outro que estava parado em uma estação de Mesquita.

“Temos que ver se foi uma falha individual, coletiva ou uma soma de fatores. Temos dados que registram toda a viagem, assim como a sinalização e o funcionamento da torre de controle da supervia. Vamos ouvir o maquinista e o passageiro”, prometeu Osório.

Osório reconheceu que os trens envolvidos no acidente são muito antigos: o que vinha no sentido Baixada havia sido reformado há três anos. O secretário prometeu renovar a frota. “53 novos trens chegarão até o final de 2015”, finalizou.

O acidente aconteceu por volta das 20h20, desta segunda-feira (5). Inicialmente os bombeiros informaram que atenderam 140 pessoas, mas posteriormente o hospital que recebeu o maior número de feridos, o Hospital Geral de Nova Iguaçu, relatou que atendeu 158 pessoas. Às 11h40 desta terça, a Secretaria Estadual de Saúde informou que suas unidades atenderam 71 pacientes, totalizando 229 feridos.

Segundo a Supervia, uma composição bateu na traseira de outra que estava parada na altura da estação Presidente Juscelino, em Mesquita, na Baixada Fluminense. A circulação foi suspensa no ramal.

Soldados do Corpo de Bombeiros do Catete, na Zona Sul do Rio, de Parada de Lucas, no Subúrbio, e de Nova Iguaçu, Nilópolis e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, atuaram no socorro às vítimas.

Os feridos foram levados para quatro principais unidades de saúde: Hospital da Posse, em Nova Iguaçu; Albert Schweitzer, em Realengo; Getúlio Vargas, na Penha; e Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, Duque de Caxias. Segundo o secretário de Transportes, Carlos Osório, uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região também prestou apoio no socorro às vítimas.

Em nota, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp) informou, que os técnicos voltaram nesta terça ao local da colisão e as oficinas da Supervia para continuarem as investigações.

Vai ser avaliado o cumprimento do plano de contingência para atendimento dos feridos e do plano de contingência integrado para usuários que não puderam seguir viagem por causa da interrupção da operação no ramal Japeri. Também vão ser investigadas as condições de manutenção, conservação e operação de todos os sistemas e equipamentos envolvidos, assim como as comunicações operacionais e registros de eventos dos trens.

Tráfego normalizado de manhã
Após o acidente entre dois trens no ramal Japeri da Supervia na noite da segunda-feira (5), a circulação das composições, que ocorria de forma parcial no início da manhã desta terça-feira (6), foi normalizada por volta das 7h. No começo da manhã, passageiros aguardavam os trens na estação de Presidente Juscelino, em Mesquita, na Baixada Fluminense, onde ocorreu o acidente.

De acordo com o Hospital Geral de Nova Iguaçu, dos 129 feridos que deram entrada na unidade na noite desta segunda (6), 47 tinham sido liberados por volta das 2h da madrugada, cerca de 60 aguardavam liberação e os demais passavam por exames.

Ainda nesta manhã, técnicos da SuperVia trabalhavam para liberar um dos trilhos, já que apenas um estava operando por volta do mesmo horário. Para que os trens circulassem em ambas as direções, os técnicos precisavam parar as composições próximo da estação onde ocorreu o acidente para passar uma composição de cada vez pelo trilho que está operando.

Passageiros relatam assalto
Passageiros que ficaram feridos na colisão entre dois trens em Mesquita, Baixada Fluminense, na noite de segunda-feira (5), relataram roubos dos pertences logo após o acidente. Como mostrou o Bom Dia Rio nesta terça-feira (6), uma das vítimas contou que criminosos pularam grades e roubaram os acidentados antes mesmo da chegada das equipes de resgate ao local.

Maquinista consegue pular do trem antes da colisão

Rio – Em entrevista à Rádio CBN nesta terça-feira, o presidente da Supervia, Carlos José Cunha, confirmou que o maquinista conseguiu pular do trem antes da colisão com outra composição que feriu pelo menos 229 pessoas na noite desta segunda-feira na estação Presidente Juscelino, em Mesquita, Baixada Fluminense .

Segundo o presidente da concessionária, o condutor saltou do trem e pulou em direção à plataforma. “O trem vinha numa velocidade bastante reduzida e aí ele conseguiu pular da cabine ao perceber que era inevitável o choque. Tem um espaço na chegada da plataforma entre o trem que ele conduzia e o que está estacionado. Neste trecho, o maquinista conseguiu saltar, contou Cunha à rádio.

Maquinista do trem que estava parado presta depoimento nesta tarde

O maquinista do trem que estava parado na composição  chegou por volta às 14h30 para depor. O condutor da composição em movimento no momento do choque alegou mal estar psicológico e foi intimado a depor amanhã. De acordo com o delegado da 53ª DP (Mesquita), Matheus Almeida, 35 pessoas já fizeram registros por lesão corporal até às 14h na delegacia. O delegado solicitou  ainda uma perícia complementar da parte mecânica da composição que deve ter resultado em até 15 dias.

“Já solicitamos também as câmeras de segurança em torno da estação Presidente Juscelino para apurar os roubos que houve depois da batida e tentar saber a velocidade da composição”, disse.

De acordo com passageiros, a viagem entre a estação Madureira e Presidente  Juscelino que dura 40 minutos, dessa vez durou uma hora e dez minutos, com direito a solavancos, falta de luz e ruídos no interior do vagão.

Fontes: G1 e O Dia, 06/01/2015

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