“Linha 3 do Metrô não saiu por descaso político”, diz engenheiro

“Descaso político. Esta é conclusão que se pode chegar para que a Linha 3 do Metrô não tenha saído do papel até hoje.” A afirmação é do engenheiro e professor da PUC-Rio, Fernando Mac Dowell, especialista no setor de transporte, para quem o metrô funcionando retiraria da Ponte Rio-Niterói mais de 46% do tráfego, conforme estudo realizado por ele próprio.

Mac Dowell reiterou que a solução para o transporte da Região Metropolitana passa, definitivamente, pelo projeto original da Linha 3 do Metrô, saindo de Alcântara (em São Gonçalo), até a Estação Carioca, no Centro do Rio, atravessando a Baía de Guanabara por um túnel subaquático de 5,5 km. Porém, frisou que, para isso, é preciso fazer o rabicho no Estácio, Carioca e uma nova estação na Praça 15, que ligará pelo túnel a Estação Araribóia, em Niterói.

– No caso da Linha 3, nós tínhamos feito um traçado, levando em consideração a ferrovia, que seria de via dupla e bitola de 1,60m. Fizemos todo esse trabalho que acabou sendo prometido por outros governos e que ninguém consegue resolver. É sempre assim. Sempre terá alguém que quer atrapalhar o processo, como foi naquela época – disse, acrescentando que o custo do projeto original gira em torno de R$ 700 milhões, incluindo a construção do túnel subaquático.

O engenheiro Mac Dowell, que realizou palestra nesta terça-feira na sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), fez questão de lembrar ao MONITOR MERCANTIL que, na época em que estava-se construindo o Metrô do Rio, no governo Faria Lima (1975-79), tinha conseguido do Governo Federal o VLT, que foi utilizado na Linha 2 até a Pavuna.

– Naquela oportunidade, mostrei a importância de São Gonçalo e Niterói, que sempre foi um dos corredores mais importantes dessa região. Fiz uma exposição ao ministro Mário Henrique Simonsen. Consegui os recursos. Fiquei feliz porque consegui resolver o problema de transporte, mas a Rede Ferroviária Federal disse que iria construir, deixa que eu faço, e acabou não fazendo. E assim foi uma série.

O especialista explicou que, num primeiro momento, o metrô operaria integrado às barcas: são 22 km com 14 estações, ao custo de cerca de R$ 484 milhões. Na Baía de Guanabara, são 5,5 km sobre uma rampa de 4% e chega na Estação Araribóia. Depois, continua até Alcântara.

– Esse é o traçado original que terá que ser feito um dia.

Fernando Mac Dowell ressaltou que o projeto original terá que sair do papel de qualquer maneira, não só pela importância de São Gonçalo, como pelo empreendimento da Petrobras, o Comperj.

A certeza de Mac Dowell de que esse projeto vai sair, mais cedo ou mais tarde, do papel, é bem simples: segundo ele, não se pode fazer uma ponte aquaviária na entrada da barra. Conforme disse, são 1.700 navios que precisam entrar na Baía de Guanabara em função do porto, que tem que ser mantido funcionando.

– Não posso fazer intervalos pequenos porque vai dar conflito. Então, quando chegar a essa hora, o projeto original vai ter que ser feito de qualquer maneira com o túnel subaquático – disse, acrescentando que, com o Comperj funcionando o tráfego na ponte vai subir em cerca de 11%, “e não vamos conseguir fazer com que as pessoas cheguem a tempo nos seus trabalhos.”

Fonte: Monitor Mercantil, 28/04/2015

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