CAF defende rapidez nas investigações sobre cartel

Quanto mais rápido os processos de investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Ministério Público sobre as denúncias de formação de cartel entre os fabricantes de trens de passageiros forem concluídos, melhor para o setor. O presidente da CAF, Renato Meirelles, entende que as incertezas criadas pelas investigações são péssimas para os fabricantes e defende uma postura mais ativa na tentativa de resolver essas questões.

O Cade investiga suposta formação de cartel que envolveria 18 empresas e 109 funcionários em licitações feitas no período de 1998 a 2013 para metrôs e trens em São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Entre as empresas aparecem Siemens, Alstom, Mitsui e CAF. Na quinta-feira, o Ministério Público paulista pediu dissolução das empresas envolvidas nas denúncias.

“A CAF é inocente. Se em algum momento houve formação de cartel, sei que a CAF não participou”, afirma Renato Meirelles, presidente. Ele conta que até 2008 a empresa não tinha produção no país e participou de vários consórcios como fornecedora de equipamentos. Em 2009 venceu sua primeira licitação, o que levou a montagem da fábrica em Hortolândia. Ainda segundo o executivo, desde 2009 a empresa venceu 60% das licitações que disputou no país. “Que cartel é esse que uma empresa leva 60% dos negócios?”, questiona.

Meirelles argumenta que até 2008, como participante de consórcios, a CAF se reuniu várias vezes com seus parceiros e trocou informações para definição do preço que seria apresentado na concorrência. “E em 2008 a CAF venceu a licitação que levou a montagem da fábrica com uma proposta que foi R$ 1,1 bilhão menor que a segunda colocada. Tenho certeza que se houvesse cartel essa proposta não teria sido tão agressiva”, afirma.

Sobre a troca de informações ou encontros com outros fabricantes depois de 2008, Meirelles afirma que a CAF compra equipamentos de outras empresas citadas na investigação, como por exemplo da Siemens e da Alstom. “É um mercado de poucos ‘players’ e o edital exige produtos nacionais. Então não raras vezes ganhamos uma licitação e somos obrigados a comprar produtos de empresas que participaram de consórcios que foram nossos concorrentes”, diz.

A repercussão das denúncias de cartel preocupa a matriz na Espanha, onde a empresa tem capital aberto na bolsa de Madri. Os cerca de 3 mil funcionários espanhóis têm 26% das ações e um representando no conselho de administração. Segundo Meirelles, o Brasil é o único dos 33 países onde o grupo atua a ter “problemas dessa natureza”.

Hoje a empresa mantém vários escritórios de advocacia para acompanhar os processos no Cade e na Justiça. “Temo que essas ações demorem anos para serem concluídas. As pessoas ainda estão sendo citadas e algumas moram no exterior. O setor está nas cordas, mas eu não vou ficar”, afirma.

Fonte: Valor Econômico, 16/09/2015

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