15/10/2015 – Palestra Técnica na Aenfer

O papel das ferrovias na logística e nos transportes foi o tema da palestra promovida pela Aenfer nesta quinta-feira, 15 de outubro, discorrido pelo especialista em Infraestrutura Sênior engenheiro Sergio Iaccarino.

O eixo principal da palestra se concentrou na necessidade de que sejam estabelecidas condições de governança quer para o transporte ferroviário de cargas, quer para o transporte urbano de passageiros.

Clique aqui e veja o trabalho de apresentação PAPEL DAS FERROVIAS NA LOG͍STICA E NOS TRANSPORTES_Sergio Iaccarino

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Para o engenheiro, as exigências mínimas de eficiências energética, econômica e ambiental não são atendidas pela ênfase dada ao transporte rodoviário. Em sua opinião, é necessário que sejam criadas condições para que as tomadas de decisão política resgatem a importância do transporte ferroviário.

É inadmissível, segundo Iaccarino, que modos de transporte que não atendam às eficiências mínimas (energética, econômica e ambiental), sejam tratados como se seguissem tais especificações: no caso dos BRT’s existe maciça publicidade em torno de sua capacidade a qual, na verdade, é muito aquém da capacidade do modo ferroviário, tendo sido implantados sem uma análise comparativa e fidedigna aos preceitos de capacidade x demanda x custos de implantação.

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Para ele, não é possível que se afirme, sem qualquer reação e questionamento de competência técnica, que, por exemplo, o BRT possa atingir 70.000 passageiros/ hora/ sentido (PHS), se o que se vê na pratica, não comprova tal teoria. Em sua opinião, é fundamental que sejam feitas análises de capacidade de transporte x custos de implantação, para que a realidade venha à tona.

Nessa linha, o engenheiro mostrou um quadro comparativo do binômio capacidade x custos de implantação para BRT, VLT, metrô leve,monotrilho, metrô urbano e trem metropolitano e/ ou regional de passageiros. Nesse contexto, a supremacia do transporte sobre trilhos é visualizada de forma inquestionável.

Assim, excrescências como a que ocorre no trecho D. Pedro II (Estação da Central) a Deodoro, um evidente exemplo da vocação estrutural/ troncal da ferrovia, o qual tem ao logo de seus 22 Km a concorrência de ônibus que margeiam suas linhas, em uma situação em que o modo rodoviário urbano deveria ser alimentador e não “concorrente” da “espinha-de-peixe” troncal da ferrovia.

No caso do transporte de carga, Iaccarino atesta que o problema é potencializado pela ineficiência da rodovia, agravada pela comparação altamente desvantajosa em relação aos modos aquaviário (marítimo, cabotagem e hidrovias) e ferroviário como mais eficientes energética, econômica e ambientalmente.

Ao confrontar os dados levantados em pesquisas, o palestrante evidenciou a necessidade de um novo arranjo metropolitano no caso da logística urbana e de uma nova configuração institucional para as ferrovias de carga, em que TODOS os interlocutores/stakeholders sejam ouvidos na tomada de decisão, já que tal atitude tem reflexos sobre todo o sistema de transportes. Assim, Iaccarino apresentou sugestões para uma melhor governança para o transporte ferroviário de cargas e também para o transporte de passageiros.

Transporte de Carga:

O engenheiro buscou demonstrar que a distribuição intermodal de transportes no Brasil é dotada de uma perversidade intrínseca. Assim foram apresentados dados de pesquisas que convergem para a elaboração de um novo quadro organo-institucional, no qual a infraestrutura,  em nível ministerial,  possa consolidar as áreas de Transportes, Comunicações e Energia, sob a tutela de uma Agência Nacional de Infraestrutura. Os ganhos de sinergia de tal configuração, teriam valor agregado pelo tratamento hegemônico da INFRAESTRUTURA.

Transporte de Passageiros:

Neste ponto, Iaccarino sugeriu que seja criado um quarto nível de poder, através de uma Agência ou Fundação nas áreas metropolitanas, que não seja meramente consultiva (algumas já existem exercendo esse papel), e sim que tenha fundamentalmente poder decisório. Finalizando, o palestrante falou sobre a necessidade de evitar desperdícios nos recursos ambientais, energéticos ou econômicos. Sustentabilidade precisa ser praticada, não ficar somente no discurso.

“Quando a técnica for tão irrefutável, somente sobrará espaço para uma política com P maiúsculo, cabendo a cada um de nós TRILHAR este caminho”, encerrou.

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