Descarrilamento de investimentos ferroviários

O jornal O Globo, de 07-08-17, na página 17, publica sob o título: “Investimento à espera de novas regras,” matéria que versa sobre infraestrutura nos setores de rodovias, telecomunicações, gás e, por último, as ferrovias, as mendigas, as desprezadas, declinando que cabe à crise político-econômico-financeira a responsabilidade direta pela paralisação de mudanças que poderiam destravar cerca de R$102 bilhões.

Na nomenclatura ferroviária, entre os acidentes, inclui-se o descarrilamento, que significa, simplistamente, fora dos trilhos, ou seja, quando um veículo do modal ou composição de trens, sai dos trilhos. É isto que está acontecendo, os recursos não chegaram às ferrovias.

Os descarrilamentos dos investimentos no setor de transportes ferroviários, não chegam à estação da vontade política dos governos, o atual e dos já passaram por todos esses anos.

O abandono do modal vem, a rigor, desde a década de 90, quando iniciou-se o desmonte da Rede Ferroviária Federal S.A. RFFSA, nascida em 1957, quando da edição da Lei 3.115/57, e falecida no governo do ex-presidente Lula, ou seja, o óbito caiu no colo do PT. Não devia!

Em 31.05.2007, a RFFSA foi “assassinada” pela Lei. 10483/07, homicídio esse, cometido sem uma grande razão plausível e justificável sob os aspectos viários do País-continente.

Inúmeros, dezenas e dezenas são os artigos que escrevo sobre o desprezo às ferrovias, espancando os governos, que são os responsáveis diretos pelo fim da RFFSA e de outros órgãos ferroviários, de grande utilidade pública e social. O negócio é priorizar a carga.

Desnecessária uma nova lei que não precisará ser regulamentada, para a antecipação de concessão de contratos celebrados dos trechos (Malhas), aliás, mal elaborados à época, pois, o teor é prejudicial à circulação de trens de passageiros nos ramais concedidos.

Estima-se que são R$ 25 bilhões para serem gastos em seis anos, verba que, num primeiro momento, dá para investir na volta do Brasil aos trilhos, com a circulação de trens de passageiros.

Esta postura negativa de edição de uma nova lei é uma balela governamental, pois, estão colocando o travamento burocrático nos trilhos do progresso e do desenvolvimento, para que não se dê o investimento no setor ferroviário. O que se vê é o descarrilamento da vontade política do governo. Todos ou quase todos, mostram-se míopes; não olham no espelho de frente para não verem a verdade viária deste País.

Pregamos, diuturnamente, que, sem a integração dos modais, não haverá mobilidade urbana, por absoluta falta de visão no presente e, via de consequência, no futuro. Gastam-se bilhões de litros de combustíveis por rodovias, quando, por ferrovias, consumir-se-ia muito menos do registrável. O Brasil, puramente ferroviário, não existe, por falta de capacidade dos governos.

Genésio Pereira dos Santos/advogado/jornalista/escritor e conselheiro da Aenfer

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