
Stella (de camisa cinza)
Revista Ferroviária – Há 28 anos na TrensRJ, a técnica especialista de tração Stella Maris começou sua trajetória na empresa como bilheteira, em 1998, e construiu uma carreira que a colocou em posição inédita: é a única instrutora mulher na formação de novos maquinistas da companhia. No Dia do Maquinista, celebrado em 20 de outubro, sua história é destacada como símbolo dos avanços da presença feminina em uma profissão historicamente ocupada por homens.
Quando ingressou no setor ferroviário, as mulheres ainda eram minoria nas atividades operacionais. O acesso a novos espaços exigiu persistência para enfrentar os desafios de um ambiente predominantemente masculino. Ao longo dos anos, a presença feminina cresceu progressivamente, abrindo caminhos para outras profissionais que buscam assumir o comando dos trens.
“No início, éramos poucas mulheres e enfrentamos dificuldades. Aos poucos, fomos conquistando nosso espaço. Hoje, ver tantas mulheres chegando à profissão é motivo de muito orgulho”, afirma Stella.
A experiência acumulada em quase três décadas de trabalho tornou-se a base de sua atuação como instrutora. Nessa função, ela compartilha os conhecimentos adquiridos ao longo da carreira e acompanha o desenvolvimento das alunas em formação. Para Stella, ocupar essa posição tem um significado que vai além da dimensão técnica.
“Tenho muito orgulho e gratidão por poder passar para elas tudo o que sei. Quero que essas mulheres vejam que também podem chegar aqui e conquistar seu espaço”, declara a instrutora.
A atuação de Stella integra uma iniciativa mais ampla para ampliar a participação feminina na operação ferroviária do Rio de Janeiro. A Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram), em parceria com a TrensRJ, iniciou a formação da primeira turma de maquinistas composta exclusivamente por mulheres. O grupo reúne oito profissionais, que começaram a preparação no Centro de Treinamento Operacional (CTO) da TrensRJ.
O curso tem duração de dez meses e inclui formação teórica e prática para que as participantes desenvolvam os conhecimentos necessários à condução dos trens e à atuação diante das diferentes situações do cotidiano ferroviário.
“Minha conquista mais significativa é poder olhar para o futuro e perceber que outras mulheres estão chegando. Se no início eram poucas, agora elas avançam na formação, ocupam novos espaços e encontram referências para seguir adiante”, conclui Stella Maris.
