O Governo está tentando atrair investidores para leilões bilionários de ferrovias esperados para este ano, e empresas chinesas e investidores institucionais estão entre os principais nomes vistos como possíveis participantes.
A carteira de projetos de concessões ferroviárias do Ministro Renan Filho mostra oito potenciais licitações no setor em 2026, somando cerca de R$ 140 bilhões em capex.
A lista inclui até a Ferrogrão, questionada por grupos ambientalistas e travada há anos por uma liminar concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, numa ação movida pelo PSOL.
“Temos empresas de vários países [avaliando os leilões]. Começamos a ter chineses estudando realmente os projetos nas ferrovias,” disse ao Brazil Journal George Santoro, secretário-executivo do Ministério dos Transportes.
“Tem um grupo de empresas do setor, tradicionais. Mas apareceram empresas que entraram em concessões de rodovias e agora estão estudando e olhando as ferrovias,” disse Santoro.
Entre esses grupos há nomes como o BTG, a XP e as gestoras Pátria, Perfin e Kinea. Do lado dos operadores, ele citou uma companhia francesa. Entre os chineses, há cinco companhias olhando ou ferrovias ou rodovias.
Os leilões de rodovias do atual Governo têm sido um sucesso – só em 2025 foram 13, com capex de R$ 135 bilhões, atraindo locais, estrangeiros e fundos. O desafio agora é replicar isso em ferrovias, um segmento com menos operadores, projetos mais complexos e orçamentos mais pesados.
O Ministério vai realizar roadshows para divulgar as licitações e atrair os investidores, disse Santoro. Isso incluirá eventos no exterior a partir de abril, passando pela China, Europa e mais localidades.
Os primeiros leilões devem ocorrer em junho, começando pelo Anel Ferroviário do Sudeste, o chamado EF-118, conectando o Porto do Açu em São João da Barra (RJ) a Santa Leopoldina (RS). O capex é de R$ 6,6 bilhões numa concessão de 50 anos.
Também é previsto para junho um chamamento público para o Corredor Minas-Rio, que seria o primeiro com contratação na modalidade de autorização. Ele vai conectar o porto de Angra dos Reis (RJ) a ramais em Varginha, Arcos e Lavras (MG).
No segundo semestre, estão programados leilões incluindo do Corredor Leste-Oeste, entre Caetité (BA) e Água Boa (MT), o maior em capex estimado, com R$ 41,8 bilhões. O prazo de concessão é de 65 anos.
O Governo ainda quer licitar a Malha Oeste, orçada em R$ 35,7 bilhões; três corredores da Malha Sul; e a Ferrogrão, que teria 69 anos de concessão, o maior prazo previsto, e investimentos de R$ 33,3 bilhões.
Santoro disse que chineses têm demonstrado interesse pela EF-118 e pelo Corredor Leste-Oeste. E que há dois grupos estudando a Ferrogrão – e não são os chineses.
“Isso me surpreendeu positivamente. São empresas boas, grandes, com tamanho para o desafio. Não quer dizer que já vão levar, mas antes eu não tinha nem ninguém estudando.”
A Ferrogrão, o projeto mais polêmico da carteira, entre Itaituba (PA) e Sinop (MT), está em discussão no STF, em uma ação movida pelo PSOL.
O partido, da base do Governo Lula, questiona a alteração do Parque Nacional do Jamanxin, feita por medida provisória em 2016 para viabilizar a obra, e cita impactos da ferrovia sobre povos indígenas na região.
O julgamento foi suspenso em outubro de 2025 por pedido de vista do ministro Flávio Dino, indicado por Lula, quando havia três votos favoráveis à legislação que permite a obra do empreendimento.
“Estamos muito esperançosos que o STF mantenha esse entendimento,” disse Santoro. O edital já está no TCU e pode ser publicado para análise de interessados mesmo antes do fim da disputa judicial.
Por: Luciano Costa
Fonte: Brasil Journal, 28/01/2026
