Documento desmente governo do estado

Central Logística: Comitê de Elegibilidade e Governança barra indicação para a presidência da companhia estatal

 

Tempo Real – A indicação do auditor federal Luiz Claudio Fernandes Lourenço Gomes para a presidência da Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística, a Central Logística, deflagrou uma crise de transparência no governo do estado do Rio de Janeiro.

Documentos oficiais revelam que, ao contrário do que afirmou o Palácio Guanabara, mecanismo de integridade barrou o nome do gestor para o comando da estatal — responsável, entre outras coisas, pela fiscalização da TrensRJ, empresa formada pelo consórcio Nova Via Mobilidade para operar o sistema ferroviário fluminense.

A indicação e o histórico conturbado

A indicação de Luiz Claudio, conduzida pelo subsecretário executivo da Casa Civil, Aroldo Neto, acendeu o alerta devido ao histórico do auditor. Ele foi recentemente exonerado da Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais, após demitir a cúpula da Corregedoria da Fazenda sem o conhecimento do governador Romeu Zema (Novo), gerando uma crise institucional.

No Rio, acumula episódios como uma punição pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) em 2021, citação no relatório final da CPI do Rioprevidência pela “Operação Delaware”, e embates com o Ministério Público em 2018 por negar dados sobre a concessão de incentivos fiscais.

A versão do governo: o parecer favorável

Diante da repercussão negativa, o governo do estado emitiu uma nota, blindando Luiz Claudio.

“Sua indicação foi analisada pelos mecanismos de integridade e compliance do governo do estado, que emitiram parecer favorável. O governo do estado não identificou qualquer fato que comprometa sua reputação ou que represente impedimento legal para sua nomeação.”

Mas não é o que registram os autos oficiais.

O processo trancado

Inicialmente, o processo (SEI-150001/006830/2026) foi colocado sob sigilo absoluto com tarja de “acesso restrito” em todos os documentos.

Pressionada, a Secretaria de Estado da Casa Civil recuou publicamente e afirmou ter determinado a abertura dos autos, alegando compromisso com a transparência.

A ata do comitê desmente a Casa Civil

Nem todos os documentos foram, realmente, liberados à consulta pública. Mas, a abertura parcial do processo no Sistema Eletrônico de Informações do governo do estado trouxe à tona a ata de reunião 35/2026, do Comitê de Elegibilidade e Governança da Central Logística, realizada em 17 de junho de 2026.

O documento revela que, na verdade, não houve parecer favorável — ao contrário, o nome de Luiz Claudio foi categoricamente barrado.

No parecer técnico, o Comitê de Elegibilidade e Governança alertou para fatos objetivos que impactam a reputação do gestor, como a crise em Minas Gerais e os apontamentos da CPI do Rioprevidência. E deixa claro que isso afeta as exigências de integridade da Lei das Estatais (Lei Federal nº 13.303/2016).

O órgão identificou “riscos institucionais, reputacionais e de governança incompatíveis com o nível de confiança exigido para o exercício da presidência” da Central Logística. E destacou que a CPI do Rioprevidência pediu o aprofundamento de investigações contra o auditor por suposta “gestão temerária e fraudulenta”, recomendando sua inabilitação para cargos públicos por cinco anos.

Conclusão com alerta legal à Central Logística

O encerramento do relatório foi taxativo:

“Por tais fundamentos, este comitê opina pela não aprovação da indicação do senhor Luiz Cláudio Fernandes Lourenço Gomes para o cargo de diretor-presidente da Companhia Central de Logística”.

O Comitê de Elegibilidade e Governança da Central Logística emitiu ainda um alerta formal: caso o governo decida atropelar o relatório, para nomeá-lo à força, a deliberação terá que “expressamente motivada e fundamentada”.

Fonte: Tempo Real, 19/06/2026

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