Imagine um novo conceito de ferrovia capaz de transformar não apenas a mobilidade no Rio de Janeiro, mas também em grandes centros urbanos de todo o país. Essa foi a proposta apresentada pelo designer Rogério Foster Vidal durante a palestra “Bondes BST: o sistema ideal para o Rio”, realizada no dia 14 de maio, no auditório da AENFER.
A apresentação despertou grande interesse do público e abriu espaço para reflexões sobre soluções inovadoras de mobilidade urbana mais acessíveis, modernas e inclusivas. Durante o encontro, o designer destacou as inúmeras vantagens do projeto BST (Brazilian Super Tram/Train), concebido inicialmente em 2004 para atender o bairro de Santa Teresa.

Originalmente pensado como um VLT, o projeto evoluiu para o conceito BST, mas acabou sendo engavetado por falta de recursos e pela saída de colegas que apoiavam a iniciativa, muitos deles aposentados ou exonerados, o que dificultou a continuidade do projeto. Na nova proposta, o veículo ganhou ainda mais estabilidade, segurança e acessibilidade, contando com itens como acesso para cadeirantes, câmeras de segurança, sistema antitombo, rampa móvel e engate especial para cadeiras de rodas, entre outras funcionalidades.
Segundo o palestrante, o projeto foi reconhecido internacionalmente, recebendo o prêmio IF Design Award, na Alemanha, em 2017. No mesmo ano, também conquistou o Brazilian Design Award, na categoria Transportes.
Rogério Foster Vidal ressaltou ainda o potencial do BST para cidades como o Rio de Janeiro. Versátil e adaptável, o veículo foi projetado para operar inclusive em áreas alagadas, sem necessidade de energização do solo. O sistema pode funcionar tanto por pantógrafo, utilizando catenárias, quanto por indução magnética, por meio de uma coifa instalada sob a composição.
Outro diferencial destacado é a possibilidade de reconfiguração interna dos vagões, permitindo a alternância entre transporte de passageiros e cargas. O BST foi desenvolvido para atuar como um verdadeiro transportador urbano, suburbano e interurbano, podendo inclusive operar como trem rápido, reunindo características modernas presentes nos VLTs europeus.

Além do BST, o designer também apresentou seu estudo para a criação de um Trem de Alta Velocidade (TAV), pensado inicialmente para o trecho Rio–São Paulo. O projeto prevê utilização de bitola larga, tecnologia inspirada em conceitos aeronáuticos, composição automotriz de alta performance e fabricação nacional, considerando as longas distâncias e a topografia acidentada do Brasil.

A palestra contou com a participação ativa do público, que demonstrou grande interesse pelo tema e interagiu com perguntas e reflexões sobre o futuro da mobilidade urbana sobre trilhos.
Na ocasião, o presidente da AENFER entregou ao palestrante um certificado de participação. Rogério Foster Vidal também foi presenteado com dois livros ferroviários de autoria do assessor João Bosco Setti.

Foto: Vice-presidente Ernesto Roberto; assessor Bosco Setti; designer Rogério F. Vidal e o pres. Marcelo F. da Costa

