UFRJ e Aerom assinam licenciamento do MagLev-Cobra

O trem de levitação magnética da Coppe/UFRJ, o MagLev-Cobra | Foto: Carol Ornelles (Asscom/Coppe/UFRJ)

 

Centro de Tecnologia UFRJ – A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) deu um passo histórico para a mobilidade urbana sustentável e o fortalecimento da inovação tecnológica no Brasil ao assinar, na quinta-feira, 1°/10, o contrato de licenciamento do MagLev-Cobra com a Aerom, empresa brasileira especializada em soluções de mobilidade urbana sustentável. A cerimônia foi realizada no Auditório da Inovateca, no campus da Cidade Universitária. O ato formal contou com as assinaturas do reitor da UFRJ, Roberto Medronho, da diretora da Inova UFRJ, Daniela Uziel, e do CEO da Aerom, Marcus Coester. O objetivo central do acordo é alçar o projeto ao nível de maturidade tecnológica 8 (TRL 8), viabilizando a operação comercial do veículo.

“Hoje, a UFRJ dá um passo importante para transformar conhecimento científico em uma solução capaz de melhorar a vida das pessoas. Eu sempre digo que cada centavo investido na UFRJ será devolvido em produtos e serviços à população numa escala exponencial. O Brasil precisa produzir, difundir conhecimento, formar profissionais e fortalecer a pesquisa básica, e precisa também ampliar sua capacidade de transformar esse patrimônio em inovação, em produtos, serviços e tecnologias úteis à população. Por isso, a parceria entre a Universidade e o setor produtivo é fundamental”, destacou o reitor durante a cerimônia.

MagLev-Cobra: tecnologia inovadora da UFRJ

Desenvolvido na Coppe/UFRJ, sob a liderança do professor Richard Stephan, o MagLev-Cobra é um sistema de transporte sobre trilhos baseado no princípio da levitação magnética supercondutora. Diferente de trens convencionais e de outros sistemas maglev que demandam complexas malhas de controle ativo para manter a estabilidade, a tecnologia empregada na UFRJ combina ímãs de terras raras dispostos na via com supercondutores de elevada temperatura crítica instalados no veículo. Esses supercondutores são mantidos resfriados em módulos térmicos com nitrogênio líquido (criostatos), gerando um efeito de levitação intrinsecamente estável e seguro.

A movimentação é realizada por um motor linear, eliminando qualquer atrito mecânico ou emissão de ruído audível. Essa concepção garante menor consumo energético, ausência de poluentes locais e forte integração paisagística por meio de vias elevadas e leves. Além dos benefícios ambientais, a solução destaca-se pela atratividade econômica: o custo estimado de implantação equivale a cerca de um terço do valor por quilômetro de um metrô subterrâneo, mostrando-se mais econômico do que um monotrilho.

Entre 2014 e o início da pandemia de covid-19, o protótipo em escala real operou em uma linha experimental de 200 metros na Cidade Universitária, tendo transportado mais de 20 mil passageiros.

Desafios superados, reciclagem de ímãs e a nova fase do projeto

Durante a apresentação do projeto, o professor Richard Stephan relembrou a trajetória de mais de duas décadas do MagLev-Cobra, desde as primeiras conversas com o pesquisador Roberto Nicolsky até a superação de oscilações no financiamento público e privado. O docente ressaltou que os percalços técnicos enfrentados ao longo dos anos, como a oxidação dos ímãs do trilho, foram transformados em avanços científicos.

O professor Richard Stephan relembrou a trajetória do projeto e explicou o funcionamento da tecnologia | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

Em cooperação com a Escola de Química da UFRJ e parceiros industriais, foi desenvolvido um processo de logística reversa e reciclagem das terras raras em Poços de Caldas (MG) e Lagoa Santa (MG), permitindo o reaproveitamento do material na fabricação de novos ímãs nacionais. Stephan anunciou ainda a aprovação do projeto em 2º lugar em edital nacional da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o que garantirá um aporte de 9 milhões de reais, ampliando os recursos destinados à iniciativa, como os provenientes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

Ao classificar a parceria com a Aerom como um “casamento” maduro entre academia e mercado, Richard Stephan reafirmou sua convicção no papel decisivo da soberania tecnológica para o futuro do país: “É impossível uma universidade galgar níveis de maturidade tecnológica tão elevados sem uma parceira. É impossível conduzir um projeto desse dentro da Universidade sem uma empresa, e a empresa certa é a Aerom”.

A mesa de honra da cerimônia | Foto: Moisés Pimentel (SGCOM/UFRJ)

A cerimônia reuniu dirigentes acadêmicos, autoridades públicas e representantes do setor empresarial, enfatizando o impacto social da inovação universitária. O CEO da Aerom, Marcus Coester, destacou a satisfação em formalizar a cooperação e definiu o MagLev-Cobra como a “fronteira tecnológica do transporte”. O executivo elogiou a persistência da equipe do professor Richard Stephan e defendeu maior intensidade e objetividade nos investimentos públicos e privados em inovação no Brasil. Já o subsecretário de Inovação do Estado do RJ, Maurício Guedes, ressaltou a trajetória de resiliência da pesquisa e apontou para a necessidade de o setor produtivo brasileiro incorporar cada vez mais pesquisadores e investir diretamente na contratação de conhecimento científico.

“Esse é o momento para vocês vivenciarem o quanto a UFRJ está preparada para momentos como esse, para transferir tecnologia. Temos tudo estruturado, todas as resoluções, todos os modelos jurídicos. Já somos capazes de negociar e chegar a soluções que agradem tanto a Universidade quanto o setor empresarial”, explicou a diretora da Inova UFRJ, Daniela Uziel.

Com o contrato devidamente assinado, a UFRJ e a Aerom iniciam agora a etapa final de desenvolvimento técnico para transformar o protótipo flutuante em uma alternativa de transporte coletivo viável para as metrópoles brasileiras.

Fonte: Centro de Tecnologia UFRJ, 02/10/2026

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