Reeleito, Tarcísio quer levar trens para o interior e litoral

Fonte: Caiuá Maia/Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas

R7 – Para além da segurança pública, principal queixa dos paulistas endereçada ao Palácio dos Bandeirantes, o agora reeleito governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem se dedicado a deixar na infraestrutura sua marca como gestor público.

O programa carro-chefe do novo mandato vai ser o “São Paulo Pra Toda Obra 4.0”, que prevê R$ 500 bilhões em investimentos nos próximos anos, distribuídos em quatro frentes: mobilidade sobre trilhos, logística (rodovias, portos e aeroportos), sustentabilidade (drenagem, reservação e saneamento) e ações voltadas às periferias do estado.

A informação foi detalhada pelo próprio governador e por sua equipe durante visita recente a obras do trem intercidades em Vinhedo, no interior paulista, onde já estão em andamento 14 frentes de obra simultâneas.

Trens intercidades

O projeto mais avançado da vertente ferroviária é o trem intercidades Campinas-São Paulo, orçado em R$ 14,2 bilhões. Segundo a equipe do governo, o trecho vai operar a 140 km/h e fazer o percurso entre as duas cidades em 64 minutos.

A previsão é iniciar a operação do serviço intermetropolitano, com paradas em Valinhos, Vinhedo, Louveira, Jundiaí e, seguindo pela Linha 7 da CPTM, Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista, Francisco Morato, Franco da Rocha e Caieiras, em 2029. Já o trem expresso, sem paradas intermediárias entre Jundiaí e a capital, deve começar a rodar em 2031.

O ponto final da linha será a estação Água Branca, que o governo descreve como o futuro “grande hub ferroviário” da capital, uma referência à estação parisiense Gare du Nord. Segundo o planejamento, a estação vai concentrar a conexão entre a Linha 3 (estendida da Barra Funda), as linhas 6, 7, 8, 9 e 11 do metrô e da CPTM, além dos dois trens intercidades.

Enquanto o trem para Campinas já está em obras, o trem intercidades Sorocaba-São Paulo está em fase de contratação, por meio de um modelo chamado diálogo competitivo, no qual o poder público negocia diretamente com empresas interessadas antes de fechar o edital.

A expectativa do governo é assinar o contrato ainda no próximo ano. Os projetos dos trens Santos-São Paulo e São José dos Campos-São Paulo, por sua vez, ainda estão em fase de desenvolvimento, sem cronograma de obras definido.

Volta às ferrovias do interior

A equipe do governo afirma que o plano de longo prazo, com horizonte até 2050, é reaproveitar faixas de domínio de ferrovias antigas, hoje desativadas, para reconectar cidades do interior por trilhos.

Faixa de domínio é a área de terreno que pertence oficialmente a uma ferrovia, reservada legalmente para a implantação e operação da via, independentemente de haver trilhos funcionando ali ou não.

São Paulo teve uma malha ferroviária muito mais extensa no passado, com linhas que ligavam a capital a várias cidades do interior.

Quando essas linhas pararam de operar, o traçado físico dos trilhos foi desativado e muitas vezes desmontado, mas a faixa de terreno em si continuou sendo propriedade pública, reservada para uso ferroviário.

Essa faixa não pode simplesmente ser vendida ou ocupada como um terreno qualquer, ela mantém o status jurídico de área ferroviária.

Entre as ligações citadas pelo governo, e que mantém reservadas suas faixas de domínio, estão Sorocaba-Campinas, Campinas-Ribeirão Preto e Sorocaba-Bauru, nenhuma delas com data prevista de início.

Expansão do metrô e da CPTM

O programa também prevê extensões de linhas já existentes, entre elas:

  • Linha 13, da Cecap até o Bonsucesso, em Guarulhos
  • Linha 11, até César de Souza, em Mogi das Cruzes
  • Linha 12, de Calmon Viana, em Poá, até Suzano
  • Linha 4, que vai estender o ramal da Estação Vila Sônia até Taboão da Serra
  • Linha 5, até o Jardim Ângela
  • Linha 9, até Parelheiros
  • Linha 6, com o trecho Brasilândia-Perdizes, previsto para entrar em operação ainda este ano, e o trecho até São Joaquim, posteriormente

Carga também entra na conta

Parte dos R$ 500 bilhões também vai para dois ramais de carga em obras, o de Colômbia a Pradópolis e o de Panorama a Bauru, com conclusão prevista para 2028 ou 2029.

Somados ao tronco principal, que liga Rubinéia a Santos, eles formam o que o governo chama de “espinha dorsal” do transporte de carga ferroviário do estado.

Fabricação nacional em Araraquara

Os trens que vão operar as novas linhas, incluindo os 44 vagões destinados à Linha 2 do metrô e ao trem intercidades Campinas-São Paulo, estão sendo fabricados na antiga fábrica da Hyundai Rotem, que fabricou os trens do metrô de Salvador, e foi recentemente adquirida pela estatal chinesa CRRC.

A nova planta já prepara os trens que ocuparão o TIC (Trem Intercidades) Eixo Norte, que ligará São Paulo a Campinas, e as composições que operarão na expansão da Linha 2-Verde do metrô de São Paulo, que hoje liga a Vila Madalena à Vila Prudente e vai ganhar mais 8,2 km e oito novas estações até a Penha, com integração às linhas 3 (Vermelha) e 11 (Coral).

Tarifa segue o que está no edital

Inicialmente, o valor da passagem do trem intercidades Campinas-São Paulo está estimado em R$ 50, conforme o edital da licitação, que é gerada a partir da distância percorrida.

Segundo Tarcísio, na região metropolitana a tarifa vai seguir o mesmo valor já praticado hoje na Linha 7 da CPTM, entre Jundiaí e São Paulo, enquanto o trem expresso terá o valor previsto na modelagem econômico-financeira do projeto, orçado em R$ 14,2 bilhões.

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