Revista Ferroviária – O transporte sobre trilhos no Brasil atravessa um momento especial com o início de operações de grande porte que conectam novas rotas de carga e ampliam a mobilidade urbana nacional, com a entrega efetiva de trechos estratégicos para o escoamento da safra e novas linhas de metrôs, VLTs e monotrilhos. Em diversas regiões, projetos emblemáticos de logística pesada e de mobilidade urbana saíram do papel e passaram a integrar o cotidiano da economia e das cidades brasileiras.
No transporte de cargas, a entrega de novos trechos estratégicos reforça a ligação dos polos produtores aos portos, aumentando a competitividade do agro e da indústria nacional. Nesse cenário, a Ferrovia Estadual de Mato Grosso, operada pela Rumo, marca a entrada em operação do seu primeiro trecho de 162 km, conectando Rondonópolis a Dom Aquino. Em paralelo, a Transnordestina (TLSA) avança com a conclusão e o início do tráfego nos Lotes 4 e 5 no Ceará, somando 102 km entre Quixeramobim e Iguatu e aproximando a malha ferroviária do Porto de Pecém.
Na mobilidade urbana, 2026 marca a consolidação de conexões aguardadas há anos. Em São Paulo, destacam-se a operação assistida no trecho de 6,7 km e oito estações da Linha 17 – Ouro do Monotrilho, ligando a rede sobre trilhos diretamente ao Aeroporto de Congonhas; a circulação do Aeromóvel de 2,6 km no GRU Airport, interligando a Linha 13 – Jade da CPTM aos três terminais do aeroporto internacional; e o início de funcionamento do trecho inicial da Linha 6 – Laranja na Zona Norte paulistana, operado pela Concessionária Linha Uni (Acciona). No litoral paulista, o Trecho 2 do VLT da Baixada Santista já está em operação comercial após a conclusão das obras civis de seus 8 km no centro de Santos.
Na Bahia, o VLT de Salvador inicia testes com passageiros no subtrecho inaugural entre Calçada e Lobato. O panorama de expansões regionais é completado pela operação assistida na Linha 2 do Metrô de Belo Horizonte e pelas entregas graduais de modernização nos sistemas de VLT de Teresina e Natal.
Próximos passos
As perspectivas para o setor metroferroviário no ciclo entre 2027 e 2035 estão concentradas na execução de obras de média e alta complexidade, no cumprimento dos cronogramas de concessões e na ampliação da infraestrutura nacional. No segmento de passageiros, destaque para as obras do Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte, que ligará São Paulo a Campinas, além da estruturação de estudos para ligações regionais rumo a Sorocaba, São José dos Campos e Santos. Na mobilidade urbana, a agenda envolve a continuidade de leilões e Parcerias Público-Privadas (PPPs) para a expansão das redes metroviárias em capitais como São Paulo e Belo Horizonte, além da reestruturação do sistema do Recife.
No transporte de cargas, o planejamento prevê o avanço nos trechos remanescentes da Transnordestina, o progresso das obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e o prosseguimento das etapas subsequentes da Ferrovia Estadual de Mato Grosso rumo ao norte do estado. Paralelamente, o setor deve incorporar gradualmente novas tecnologias de sinalização digital, sistemas automatizados de controle de tráfego e soluções voltadas à eficiência energética e descarbonização das operações.
A Revista Ferroviária traz informações detalhadas de projetos que estão no papel e em andamento nos segmentos de cargas e passageiros. O material está disponível para assinantes da RF
Fonte: Revista Ferroviária
