CREA-RJ inicia fiscalização na Trens RJ

Estação de trem de Padre Miguel – Foto Daniel Martins/Diário do Rio

Diário do Rio – Três dias depois de iniciar a operação do sistema ferroviário metropolitano do Rio de Janeiro, a Trens RJ recebeu, nesta terça-feira, 2 de junho, uma ação de fiscalização do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ).

Superintendentes e agentes do conselho estiveram na empresa para fiscalizar o exercício profissional de engenheiros na nova operadora, responsável por uma malha de 270 quilômetros, cinco ramais e 104 estações de trens urbanos.

O vice-presidente de manutenção e operações da Trens RJ, o engenheiro eletricista Adagir Abreu, afirmou que o diálogo com o CREA-RJ é importante neste início de operação. “Fizemos uma boa reunião com o CREA, que foi importantíssima para nós da Trens RJ. Primeiro, porque nós estamos começando uma empresa nova e a ideia nossa é estarmos legalizados em todos os processos. Nesse ponto, o CREA é importantíssimo. Nós temos grande atividade de engenharia, específica e temos uma grande quantidade de engenheiros na nossa empresa. Então, é fundamental estarmos registrados e alinhados às normas do CREA”.

Segundo ele, a aproximação com o conselho deve ajudar a empresa na organização dos processos internos ligados à engenharia. “Ficamos muito felizes com a reunião. Isso vai ser muito importante para o futuro da nossa empresa. Estamos trabalhando de forma positiva com o CREA, com o objetivo de melhorar a qualidade do transporte ferroviário do nosso estado”, disse Adagir Abreu.

Conselho vê operação como estratégica para a engenharia

Pela Trens RJ, também participaram da reunião Oswaldo Dreux, gerente executivo regulatório; Camilla Paulino, coordenadora; Uascar Carvalho, diretor de operações; Alexandre Custódio, diretor de sistemas; e Artur Costa, diretor de manutenção.

Do lado do CREA-RJ, estiveram presentes os superintendentes Édipo Senna Ázaro e Leonardo Dutra, o gerente de fiscalização Cosme Chianara, a coordenadora da fiscalização interna Ana Tavares e Danielle Assumpção, supervisora de Coordenação Regional da Capital.

O superintendente administrativo do CREA-RJ, Édipo Senna Ázaro, engenheiro de transportes, destacou que a aproximação com a nova operadora busca garantir o cumprimento das normas profissionais no setor ferroviário. “Quando a gente fala da Trens RJ, que assumiu a operação ferroviária no Rio de Janeiro, a gente não fala somente de uma empresa que é emblemática, de um serviço que é emblemático pro estado, por ser o indutor do desenvolvimento durante décadas, mas a gente fala de um símbolo, uma empresa que tem por sua essência a engenharia. E é nosso papel do CREA garantir que essa empresa realize suas operações de forma adequada com as nossas normativas, que o serviço seja prestado da melhor forma para os engenheiros e toda a sociedade”.

Para ele, a comunicação entre o conselho e a empresa será importante durante a transição.

“O nosso objetivo, ao nos aproximar da empresa, é ajudar nesse processo complexo de uma operação que tem quase 3 mil funcionários e apoiar essa transição, em nome da boa engenharia, essencial para o desenvolvimento do nosso estado”, disse Édipo Senna Ázaro.

Empresa deve receber selo de conformidade
O superintendente técnico do CREA-RJ, o engenheiro civil Leonardo Dutra, afirmou que a fiscalização iniciada na Trens RJ também tem como objetivo valorizar os profissionais do sistema Confea/Crea e as empresas de engenharia. “Conversamos com os responsáveis técnicos da Trens RJ e brevemente a empresa terá o nosso selo de conformidade, que permite um canal aberto com o CREA-RJ, para ajudar a empresa em todos os processos de regularização. Acreditamos ser muito importante esse diálogo, no qual o CREA-RJ está sempre lutando pelo espaço dos profissionais”.

A mudança no sistema ferroviário do Rio de Janeiro marca o fim de quase 30 anos de gestão da SuperVia. O novo consórcio Nova Via Mobilidade, que opera sob a marca Trens RJ, assumiu o serviço em um modelo diferente do anterior. O contrato agora prevê remuneração por quilômetro rodado durante cinco anos, e não por passageiro transportado.

Entre os principais desafios da nova operadora estão a segurança da malha, afetada por furtos de cabos e fiação elétrica, e a evasão de receita. Esses problemas interferem nos intervalos, no tempo de viagem e na regularidade da operação.

Adagir Abreu reconhece que o desafio é grande, mas afirma que a área de engenharia da empresa está preparada para a transição.

“Temos que fazer uma reforma grande nas instalações e nos nossos sistemas, mas acreditamos que está tudo bem encaminhado. A parte de engenharia está bem estruturada, bem organizada e preparada para os desafios que vamos enfrentar”, afirmou o vice-presidente de manutenção e operações da Trens RJ.

Fonte: Diário do Rio, 03/06/2026

Compartilhe