Abaixo-assinado com 726 assinaturas pede a transferência do Carro Imperial, guardado no Engenho de Dentro; museu está fechado à visitação desde 2019

Carro Imperial, vagão fabricado em 1886 para transportar Dom Pedro II e a família imperial, está no Museu do Trem, no Engenho de Dentro. Foto: Leo Martins/Reprodução
Diário do Rio – Um vagão fabricado em 1886 para transportar Dom Pedro II e a família imperial está no centro de uma mobilização que pede sua transferência do Museu do Trem, no Engenho de Dentro, na Zona Norte, para o Museu Imperial, em Petrópolis, na Região Serrana. A petição reúne 726 assinaturas e argumenta que a mudança ajudaria a preservar a peça histórica. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pelo acervo, porém, descarta a transferência e defende a recuperação do conjunto ferroviário no local.
Conhecido como Carro Imperial, o vagão tem quase 17 metros de comprimento, pesa 13,7 toneladas e conta com quatro compartimentos, incluindo um toalete e um salão com 15 cadeiras.
A campanha foi criada pelo empresário Michael Gaia, de 30 anos, morador de Florianópolis, em Santa Catarina, e entusiasta da história do Brasil. Ele afirmou ao O Globo que decidiu organizar o abaixo-assinado após conhecer relatos sobre as condições do Museu do Trem, que está fechado à visitação desde 2019 e já foi alvo de furtos.
Iphan prevê restauração do acervo
O Iphan informou que concluiu o Plano Museológico do Museu do Trem e o inventário do acervo, com levantamento das condições de conservação e segurança das peças. O material servirá de base para a elaboração de um projeto de restauração, que incluirá o Carro Imperial.
Segundo o instituto, o vagão passa por higienização periódica, está em bom estado de conservação e foi vistoriado pela última vez em julho. O órgão considera a transferência de bens de grande valor histórico uma medida excepcional.
O instituto também afirma que a permanência das peças no museu é importante para fortalecer o espaço como local de memória e identidade do Engenho de Dentro. Apesar disso, não apresentou um cronograma para a restauração.
Museu está fechado desde 2019
Inaugurado em 1984, o Museu do Trem reúne itens importantes da história ferroviária brasileira, entre eles a Baroneza, considerada a primeira locomotiva a vapor do país. O espaço está fechado à visitação desde 2019 e apresenta problemas de conservação, como vegetação sem poda e estruturas deterioradas.
Em 2022, o museu foi alvo do furto de 16 sinos de bronze utilizados entre o fim do século XIX e o início do século XX. A maioria foi substituída por réplicas de gesso. Um relatório encaminhado ao Iphan na época estimou o prejuízo em R$ 240 mil e classificou a perda cultural como inestimável. A Polícia Federal abriu uma investigação sobre o furto, posteriormente arquivada pelo Ministério Público.
Segundo Michael, o Museu Imperial informou que encaminharia a proposta de transferência à coordenação técnica. O empresário afirma, no entanto, que não recebeu informações sobre prazos ou um projeto definido para a mudança.
Fonte: Diário do Rio, 13/10/2026
